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Precisamos falar de saúde mental: Quebrando tabus para salvar vidas



Todos os anos são registrados cerca de 10 mil suicídios no Brasil e mais de um milhão no mundo. A depressão já é tida como a doença mais incapacitante no mundo e a perspectiva é que irá tomar ainda maior proporção. Por isso precisamos colocar o assunto sobre a saúde mental em pauta com urgência.


A campanha Janeiro branco surgiu em 2014 com um grupo de psicólogos de Minas Gerais, que vinham com a perspectiva de fazer questão sobre este tema, tido ainda como tabu em nossa sociedade. Pois não podemos negar que infelizmente ainda há grande preconceito em cima das questões atreladas a saúde mental. Todos acham comum cuidar da sua saúde física, mas quando se trata de ter que buscar atendimento psicológico ou até mesmo psiquiátrico ainda se tem a perspectiva de loucura. Embora tanto se fale o estigma ainda continua vivo em nossa sociedade e por conta disso muitas pessoas estão adoecendo.

Vivemos hoje na busca por um padrão social inalcançável, onde nada é suficientemente bom aos olhos do outro, o dia a dia em ritmo desenfreado, a formação profissional que jamais é satisfatória, a busca por bens cada vez maior, o corpo que nunca que é perfeito! São tantas questões que poderia se levantar a cerca da cobrança exacerbada que vivemos diariamente. Onde não sobra mais tempo para viver, para compartilhar e ser feliz.




Mas é chegado o momento de se falar sobre isso e principalmente de se fazer entender, pois hoje ainda com toda informação que temos, encontramos inúmeros “tabus” entorno de doenças ou do sofrimento psíquico, a psicologia e a psiquiatria ainda são tidas como as “ciências para loucos”. Precisa-se urgentemente desligar destes conceitos retrógrados e pensar, que todos em um momento ou outro podemos passar por situações que nos abalem emocionalmente e não estamos livres de ter que buscar auxilio. O que não podemos é deixar de viver (em todos os sentidos) por vergonha ou medo do que os outros vão pensar. Se vamos ao dentista regularmente, se fazemos exames periódicos, se praticamos exercícios todos os dias, porque não podemos cuidar da nossa saúde mental?! Se é ela que comanda toda a nossa vida! É ela que quando debilitada vai debilitar nosso corpo também e nos adoecer! Porque, exatamente naquilo que é essencial pecamos, por desdém ou vergonha?! Saúde mental também merece um cuidado preventivo, não, que não se possa buscar quando algo nos ocorre, mas muito seria evitado se ao primeiro sinal buscássemos auxilio e nos permitíssemos a isso. E não esperássemos “o balde transbordar”.


A pessoa que esta em depressão não é preguiçosa, a pessoa que tem ansiedade generalizada, não esta fazendo drama, o sujeito com transtorno bipolar, não esta simulando para “passar bem” a pessoa que faz uso de alguma substancia viciante, não consegue “sair dessa” só com força de vontade, e todos nós temos nossos altos e baixos, todos nós na vida corrida que a contemporaneidade nos exige, somos suscetíveis a ter esgotamento em algum momento, no meio do caminho. Por isso é mais do que urgente que abordemos cada vez mais a problemática entorno da saúde mental, é mais que urgente que passemos a nos cuidar preventivamente, é mais que urgente que se pare de julgar o sofrimento alheio. Mas, sim, que tenhamos mais empatia com o próximo, que tenhamos um olhar mais atento, porque todos dão sinais sobre o que quer que seja, basta um olhar mais sensível para poder perceber. Pois quem sofre precisa de auxilio e não julgamento, quem sofre precisa de tratamento especializado, quem sofre precisa ser ouvido.


E estes erros e preconceitos, que vem contribuindo para o estigma em torno da doença mental, levam estes sujeitos a um processo de sentirem-se envergonhados, excluídos e discriminados. Desta forma sentindo a necessidade de “vestir a sua mascara de viver” e sair para a rua fingindo uma felicidade que não tem embora o vazio e a tristeza tomem conta de si. Por isso, ao perceber que a pressão interna está muito elevada, que o copo está para transbordar, nesse momento, ou antes, disso, peça e/ou aceite ajuda. Converse com alguém, seja conhecido ou desconhecido, e que este ao ouvir que faça de uma forma acolhedora e sem críticas assim já irá ajudar essa pessoa a superar aquele momento. Oriente que vá adiante, que busque um profissional especializado, o qual estará ali para acolher o seu sofrimento, sem julgamento algum e irá lhe guiar neste momento difícil. Pois para tudo há uma solução, quem sabe naquele momento por estar esgotado, não se consegue perceber, e isso é normal, mas com auxilio tudo vai se resolver. É necessário perder o medo de falar sobre o assunto. O caminho é quebrar “tabus” e compartilhar informações. Esclarecer, conscientizar e estimular o diálogo contribui para tirar o assunto da invisibilidade e, assim, mudar esta triste realidade.

Por isso, a Campanha Janeiro Branco visa convidar a todos a pensar em formas, estratégias, temas, questões, assuntos, ações, iniciativas e abordagens capazes de inspirar e de estimular as pessoas e as instituições a refletirem sobre Saúde Mental, as suas variadas facetas e as suas múltiplas dimensões: Precisamos falar sobre saúde mental: nas escolas, no trabalho, no chopp do final de semana com os amigos, precisamos falar sobre sentimentos, precisamos falar nas escolas e sobre a solidão. Precisamos falar sobre as nossas dores, sobre amor, precisamos falar e abordar em todo e qualquer lugar.



Letícia Lima

Psicóloga CRP 07/26320

Psicologia Clinica, crianças, adolescentes adultos e idosos

Especialista em Psicologia jurídica Certificada pelo Conselho Federal de Psicologia

Capacitada em Perícia e Assistência Psicológica

Capacitada em Avaliação Neuropsicológica de crianças adolescentes, adultos e idosos.

Formação em Reabilitação Neuropsicológica

Pós graduanda em Neuropsicologia

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